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O pecador arrependido tem esperança

O cristianismo bíblico centrado em Cristo e nas Escrituras é uma resposta cabal aos dilemas do homem. Oferece perdão, restauração, paz em todas as circunstâncias e vitória sobre o maior mal da humanidade: o pecado

Em uma agradável conversa com um clérigo católico, interroguei-o sobre uma questão, que para nós protestantes, é tratado de forma vertical sem intermediação humana: a confissão. Sua resposta surpreendeu-me, disse-me ele que as pessoas perderam a consciência de pecado, falou-me que hoje em dia os “crentes” pecam, mas não se sentem no dever, como cristãos, de pedir perdão e nem de prestar contas.

Um ser patológico e não pecaminoso. Não é apenas uma mudança semântica, mas uma realidade cotidiana. A modernidade exclui qualquer conotação que considere pejorativa e “agressiva” na definição das deformidades interiores do ser humano. O pressuposto não é mais teológico e sim psicológico.

Quando uma pessoa comete um crime na área da pedofilia, ele é tratado como um “doente”. Uma vítima de suas ambiguidades internas. Quando um ser humano é definido como “doente”, então ele passa a ser vítima. Uma doença, subtende alguém que não tem culpa pela sua “enfermidade”, ele é um “pobre coitado”.

Multiplicam-se casos de abusos infantis e essas pessoas, para uma grande parte da psicoterapia, são irremediáveis. Dizem que não podem ser curadas, apenas controladas, mas a patologia continua para o resto da vida. Na perspectiva terapêutica não há esperança de cura para os “enfermos” anímicos, apenas controle.

Permitam-me uma consideração na perspectiva bíblico-teológica, embora muitos “consultórios” pastorais não subscrevam as Escrituras como base de aconselhamento e transformação interior.

Primeiro, declarar o homem como pecaminoso não é uma afirmação pejorativa, é uma constatação de uma realidade da própria história humana de que sua maneira de ser e estar é deformada, mesmo as nossas boas intenções, estão conspurcadas pelo pecado. Segundo, quando as Escrituras apontam o homem como pecador, ela também oferece esperança. Pecados, se confessados, são perdoados, e mais do que isso, o pecador é transformado, purificado. ( 1 João 1.9).

O cristianismo bíblico centrado em Cristo e nas Escrituras é uma resposta cabal aos dilemas do homem. Oferece perdão, restauração, paz em todas as circunstâncias e vitória sobre o maior mal da humanidade: o pecado.

Não somos apenas vítimas dos nossos enganos interiores, somos responsáveis pelos nossos atos, intenções e comportamentos. Se não conseguimos vencer o mal que há em nós, há Um que capacita-nos, fortalece-nos e santifica-nos a fim sermos santos e irrepreensíveis até ao dia de sua Vinda Gloriosa.

O cristianismo histórico falhou e tem continua cometendo erros crassos em sua trajetória, mas Jesus Cristo não! Ele é e continurá sendo o pastor que levanta os caídos que confessam e abandonam os seus pecados. Ele transforma pedófilos em homens puros, purifica meretrizes em mulheres santas, muda os corações de homens corruptos que entregam-se a Ele sem reservas, faz do homem pecador um “vaso” em suas mãos.

O cristianismo bíblico define o homem numa perspectiva teocêntrica: a humanidade perdeu-se, maculou-se. Contudo, o Eterno não nos deixou entregue nos nossos próprios caminhos enganosos. Ofereceu-se por nós e resgatou-nos com o sangue que purifica a “doença” causadora de todos os malefícios da raça humana.

Nele, todo pecador arrependido tem esperança. Toda “doença” tem cura. Se há alguma dúvida converse com Davi no salmo 51: “... Cria em mim, ó Deus, um coração puro... Lava-me completamente da minha iniquidade e purifica-me do meu pecado...”.

Josenaldo Silva
Lisboa, Portugal


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