Epístola
da redação
Após fecharmos a pauta desta edição de Eclésia pudemos perceber uma coisa. A grande maioria das matérias tinha, em sua essência um único tema: Intolerância. De maneira alguma, a linha editorial de Eclésia quis ser tendenciosa ou unilateral e fazer, sequer, uma edição especial sobre o tema. Apenas aconteceu. Mas o noticiário está superlotado de ações preconceituosas, de discriminação ou de outro tipo de violência.
A despeito da capa de Eclésia edição 129/dezembro de 2008 (Lições de uma tragédia) em que tratamos o drama da menina Eloá, também não gostaríamos de mostrar essa outra dura realidade: de discriminação e preconceito. Mas assim como aquele caso de violência, esse outro quadro, talvez mais velado, mas não menos perigoso, também é real e latente. Casos como centros espíritas depredados, mulheres e crianças ofendidos publicamente, templos invadidos e pichados, mostram um lado bárbaro e cruel de pessoas que não conseguem entender outro tipo de fé que não seja a sua. Essas podem ser consideradas ações isoladas ou irracionais.
As ações não tão isoladas assim, mas coletivas, representativas e consideradas racionais também permeiam a questão: um decreto assinado pela presidência da República que proíbe a ação de ONGs, inclusive as missionárias, de atuarem entre os indígenas. Ou portaria do MEC que diz que um Deus criador não está de acordo com seus padrões de ensino e proíbe que a teoria do criacionismo seja ensinada. Mas os que crêem são colocados a prova todos os dias, há séculos. Tem que provar o que crêem e por que crêem. Tem que provar que Deus existe. Tem que provar que a Bíblia tem razão e que foi inspirada por Deus. E o que dizer, ainda, da decisão da prefeitura de São Paulo de mandar a Marcha para Jesus para o autódromo de Interlagos? A assessoria da prefeitura não confirmou a notícia. Talvez seja “só um susto”. Como aquele dado no centro espírita depedrado ou na igreja pichada ou até mesmo na suástica desenhada sobre a estrela de Davi. Apenas um susto, sem “maldade” ou intenção, mas que nos alerta para o que pode vir a ser um ato arbitrário, bárbaro e violento.
Que o nosso subconsciente de medo e susto sirva, ao menos nessa edição de Eclésia, para relatar o terror da discriminação e preconceito e para alertá-lo, caro leitor, dessa triste e latente realidade.
Regina de Oliveira
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